constelação de memórias



I G U A L D A D E
Será que igualdade significa dar tratamento igual a todos, ou tratar todos como iguais?

Na verdade, sim, vejo diferença em ambas essas situações.




Este é um cartoon com que me deparei há alguns anos, numa aula de filosofia.

Hoje, atrevo-me a reformular esta imagem, dizendo que o cenário da direita representa, na verdade, igualdade; representa justiça e igualdade. Assim, a meu ver, o da esquerda é, afinal, uma representação de um conceito errado de igualdade, que é, infelizmente, um dos ideais mais comuns do tratamento ao outro hoje em dia, que tem passado camuflado de igualdade: a indiferenciação.

Como podemos ver, no cenário que a ilustração representa como sendo igualdade, a todos lhes foi dado uma caixa do mesmo tamanho para que pudessem ver um jogo para além da vedação. O problema é que todos têm tamanhos diferentes, e a caixa igual acabou por deixar todos em posições diferentes. Na minha opinião, embora isso seja a igualdade no tratamento, não é a verdadeira e ideal igualdade, pois, no fim, todos mantiveram os problemas que se originavam das suas diferenças.

Passo a explicar: creio que a igualdade que se pretende atingir é mais uma simbiose da celebração dos aspectos positivos da diferença com a solução dos problemas que esta origina. Assim, como ilustrado no cartoon, o tratamento igual a todos não é igualdade. Porquê, exactamente?

O tratamento igual a todos provém de uma espécie de preguiça moral. Noto que quem idealiza dar tratamento igual a todos os indivíduos não reconhece o valor único que cada sujeito tem, e ignora as necessidades pessoais de cada um. É que necessidades diferentes requerem diferentes abordagens. Quem aborda todos os problemas do mesmo modo, coloca todos no mesmo saco, julgando que isso significará ser imparcial e justo. No entanto, termina em tudo menos justiça, e é, no fundo, um desrespeite de quem o outro é. Dar o mesmo tratamento a todos é a verdadeira indiferenciação, que resulta, então, em injustiça, e isso o cartoon já mostrou (embora chamando a indiferenciação de igualdade).

Agora vou mais além, e digo que a igualdade deve estar sempre associada à justiça. No entanto, isso é difícil de entender hoje em dia, num tempo em que a igualdade é tão comummente mal interpretada.

Daí a minha pergunta original: será a igualdade tratar todos por igual, ou tratar todos como iguais?

Tendo já concluído que a primeira opção não corresponde a igualdade, e sim a indiferenciação, quero agora explorar rapidamente a segunda situação, que acredito ser a verdadeira igualdade. Então, qual é a diferença entre tratar todos por igual e tratar todos como iguais?

A verdade é que a primeira situação do cartoon é enganosa. Facilmente se conclui que, ao dar o mesmo tratamento a todos, se está a tratar todos como iguais. Mas, na minha opinião, tratar todos como iguais vai muito mais além do que aquilo que se vê a olho nu. E aqui está a diferença: tratar todos como iguais não significa ver todos como se tivessem a mesma altura; e sim reconhecer que todos têm alturas diferentes, e todos têm direito a ver o jogo da mesma altura.

E aqui é que "a porca torce o rabo". Porque a verdade é que as pessoas não têm a mesma altura. Não se pode tratar todos por igual em aspectos em que ninguém é igual. Todos começamos iguais, mas crescemos, evoluimos até tornar-nos todos diferentes em aparência, personalidade, memórias, sonhos, desejos, pontos de vista, enfim, podemos resumir tudo isso àqueles três grandes pontos que moldam a cada ser humano de maneira diferente: hereditariedade, educação, e meio envolvente. Há que reconhecer essas diferenças, pois isso é crucial para que haja justiça. Tratar as pessoas com justiça é tratá-las tendo em conta essas diferenças. Tratá-las com igualdade é tratá-las tendo em mente o facto de que, antes e para além dessas diferenças, somos todos iguais. E, na minha opinião, ambos esses conceitos podem e devem ser praticados em conjunto. Mas para chegar aí, há que expandir a mente de duas formas. Há que expandi-la de modo a perceber que, como espécie, somos todos iguais, e expandir a mente também para conseguir copular os dois pensamentos: como espécie, somos todos iguais, e como indivíduos, não há duas pessoas iguais.

Quando se consegue pensar assim, atinge-se o segundo contexto do cartoon: aquilo que eu disse que representava a justiça e a igualdade.

Nessa situação, rejeita-se a indiferenciação ao reconhecer que todos têm características diferentes, sendo, assim, justos para cada um, e pratica-se a igualdade porque se reconhece e respeita em cada um o valor de uma vida, e se lhes dá a possibilidade de experimentar a realidade do mesmo modo. Não com as mesmas ferramentas, mas com as ferramentas adequadas, que lhes permitam aproveitar a vida ao máximo e do melhor modo, sem deixar de ser quem são. Assim, praticando a verdadeira igualdade e justiça, cada um será a melhor versão de si mesmo.
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Estejam atentos e sejam discretos. Não é pessoal, mas, na minha maneira de ver as coisas, os verdadeiros heróis não se auto-promovem, muito menos nas redes sociais. Não me refiro a auto-promoção de negócios, talentos, nem coisas assim. Refiro-me à auto divulgação de actos de benevolência altruísta, aquele heroísmo que nos "restaura a fé na Humanidade". (E acreditem: por vezes, até o falar muito alto enquanto se elogia alguém já é, na verdade, promoção da própria generosidade e simpatia.)
Acho muito importante e, obviamente, concordo que o que as pessoas fazem de heróico seja divulgado para que todos sejam motivados a seguir o seu exemplo, e até para que eles saibam que o seu trabalho é apreciado (embora isso seja algo de que os verdadeiros heróis nunca precisarão). Mas, para que o que eles fazem seja divulgado, todos nós é que devíamos estar atentos, se realmente valorizamos o que eles fazem, e deveríamos ser nós a fazer conhecido o trabalho deles.
Ainda assim, a verdadeira valorização do que eles fazem seria ir ter com eles, dar-lhes um "obrigada" e um abraço, sair, e seguir, nós mesmos, o seu exemplo. Sem essa última parte, de que serve partilhar a foto sorrateira que lhes tirámos (e de que quase nos orgulhamos)? - apenas para reforçar a essência hipócrita das pessoas, que é evidenciada nas redes sociais.

É que não são apenas aqueles indivíduos maravilhosos que aparecem no Facebook que ainda fazem coisas boas e relevantes... Há pessoas fantásticas em todo o lado, há heróis em todo a parte: a única diferença é que os mais humildes e verdadeiramente altruístas raramente chegam a aparecer.
#JustSaying

img de http://setuforeuvou.blogspot.pt/2010/11/bom-trabalho-meu-rapaz.html
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img copied from https://novakdjokovicfoundation.org/parenting-tips/10-things-to-help-you-dealing-with-an-angry-child/

Todos os que já foram criança (ou seja... todos) se lembram de, a dada altura, tornar-se familiar com o ditado "quem diz é que é". Lembram-se provavelmente de gostar muito dele, ele dava jeito, e quase toda a gente chegou a usá-lo intensivamente. Mais cedo ou mais tarde, algum adulto terá dito "não digas isso, que é feio!". Por um lado tinham razão; é feio. Dizer "quem diz é que é" é o mesmo que insultar a pessoa, chamá-la do que ela nos chamou, mas se quem diz é que é então nós também somos porque acabámos de insultar o outro tanto quanto ele nos insultou a nós, e se ele disser que quem diz é que é, lá o são eles outra vez, e assim sucessivamente. Enfim, um ciclo vicioso infinito de insultos, o que não é nada bom nem construtivo, é inclusive muito mau e destrutivo.

Mas começo a chegar à conclusão que os adultos não queriam que disséssemos que "quem diz é que é" porque, na fundo, quem diz é que é.

Um exemplo de sabedoria infantil que é temida pelos adultos por ser um perfeito retrato psicológico do fenómeno das nossas próprias frustrações e da projecção dos nossos próprios problemas no outro, como manobra de diversão para a sociedade: "olhem para ele, que é tão mau, pior do que eu, até! (enquanto isso, pelo menos não olham para mim)".
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No dia 20 de Julho vou lançar o meu primeiro livro.

Collection of Everything é um livro de poesia e fotografia que colige, de uma maneira leve e criativa, uma fracção do meu trabalho dos últimos tempos.
Como o próprio título indica, o livro está em língua inglesa!



Collection of Everything reúne poemas em Inglês que tenho vindo a escrever no último ano com uma selecção de fotografias que tenho tirado, algumas ainda de 2011.
No dia 20 de Julho o livro passará a estar disponível na Amazon, loja internacional online, e isso significa que qualquer pessoa, em qualquer parte do Mundo, poderá encomendá-lo através da Internet!


Utilizei um processo de auto-publicação para que o meu livro pudesse atingir mais e maiores superfícies em todo o Mundo, principalmente por estar em Inglês!



Collection of Everything, by Rebeca R. Couto
20 de Julho de 2016

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Se há coisa que aprendi com a minha mãe e de que nunca me esquecerei é que o respeito não é algo que se deva ou cobre.
Da mesma maneira que o respeito não se deve nem se cobra a ninguém, o respeito também não é algo que se dá nem recebe.
O respeito é, sim, uma condição, um patamar que se atinge. É como um espaço psicológico em que circulamos, um lugar onde a nossa pessoa habita, em que o respeito em si deixa de ser uma acção, para passar a ser um estrato atmosférico, um ar que se inala e exala. E quem dessa atmosfera respira vive em respeito, o que resultará, inevitavelmente, em respeitar os outros, e em ser respeitado, sem a necessidade de o pedir nem de lutar por isso.
Note-se: a utilização da palavra "estrato" em nada se relaciona com estatuto social ou económico, aspecto físico, nem mesmo opiniões, crenças, ou estilos de vida. Este estrato é um lugar totalmente acessível a qualquer um.
E talvez por isso é que exista a expressão "dar-se ao respeito", e por isso é que gosto dela.
O respeitar, em si, não é a parte activa; a parte activa é o passo antes de demonstrar respeito e ser respeitado. A acção está no trabalho pessoal e interpessoal feito por nós para atingir a condição de respeito, e estará também no momento em que nos entregarmos a esse estado, isto é, quando "nos dermos ao respeito". E o "demonstrar respeito e ser respeitado" virá, então, quase passivamente.
O mais trabalhoso de toda a parte activa é o tal trabalho pessoal e interpessoal. A verdade é que este é um trabalho demorado porque envolve principalmente o moldar da personalidade e o adequar das ideologias, princípios, e valores, e também requer um grande amor ao próximo assim como a si mesmo. Ser uma pessoa de respeito requer respirar e transpirar valores como o apreço, a consideração - e isto não é gostar da pessoa, mas é reconhecer nela o valor que ela tem, e que é o mesmo que o nosso. Ser uma pessoa de respeito requer características como a assertividade, a longanimidade, o auto-controle, o saber quando argumentar e quando calar, entre muitas outras. Ser uma pessoa de respeito requer fazer compromissos como amar o outro - e volto a dizer: isto não significa, necessariamente, gostar do outro.
Estando neste caminho, chegará um momento em que será inevitável dar-nos a esta atmosfera, integrá-la, confiando que não mais precisaremos de dar nem receber justificações de ninguém, pois dar-nos ao patamar do respeito inclui aceitar que qualquer outro ser vivo, independentemente de seja o que for, é tão digno deste ar como nós. E isso não é fácil.
Todo esse esforço, por nossa parte, será contra-natura, porque o nosso eu, para além de querer ser respeitado a todo e qualquer custo, não quer, por norma, ser respeitoso em relação a coisas que o contradigam ou incomodem.

Não concordo com os dicionários na definição de respeito.
Tenho visto que respeitar não é concordar, não é obedecer, não é ser submisso, nem sequer é tolerar, no sentido da palavra em que o sujeito tolerante não se sente incomodado pela acção do tolerado. Sim, porque, notícia de última hora: é possível sentir-se incomodado por algo e, mesmo assim, respeitar. Nem sequer debater educadamente sobre um assunto significa que se respeite o assunto ou a pessoa com quem se debate. E, tal como é possível respeitar sem concordar, também é possível obedecer e ser submisso sem, no fundo, respeitar.

Por isso é que o atingir do estado de respeito é trabalhoso e difícil, e é por isso que respeitar e ser respeitado é  uma raridade hoje em dia. Nos dias de hoje, o respeito é visto, concebido, e definido da maneira errada.
A parte mais custosa de respeitar não é aquele momento em que o respeito é necessário; é, sim, o chegar ao patamar em que se é, continuamente e por natureza, uma pessoa de respeito.
E essa caminhada, que foi iniciada aquando do nosso primeiro conceito sabido na vida, e que nunca deixaremos de caminhar até ao nosso último pensamento, essa caminhada, e essa entrega à condição de respeito, tudo isso é que é o verdadeiro respeitar e fazer-se ser respeitado.

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Quem não sabe que a curiosidade matou o gato?
Costumamos utilizar esta expressão como sendo um provérbio português quando queremos alertar alguém sobre as consequências de ultrapassar os limites ou "meter o nariz onde não somos chamados".

A verdade é que a versão original deste provérbio é "a preocupação matou o gato", e isto enfatizava as consequências de viver preocupado, dizendo que até o gato, conhecido por sobreviver a tudo e escapar-se de toda e qualquer alhada, pode acabar por ver as suas 9 vidas levadas pela preocupação.
A primeira utilização desta expressão é atribuída a Ben Jonson, em Every Man in his Humour, em 1598.

No entanto, com o passar do tempo, esta expressão sofreu algumas alterações, e a verdade é que pouca gente conhece a sua totalidade. Outra vez, o dizer apenas metade da citação acaba por alterar (drasticamente) o seu significado, e, de certa forma, torna-se numa descontextualização por conveniência...
Por isso, fiquemos a conhecer a verdadeira versão moderna deste provérbio que, afinal, não é originalmente português:

"A curiosidade matou o gato, mas a satisfação trouxe-o de volta."

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Que a criança acredite que tem algum problema mental ou atraso no desenvolvimento é pior e muito mais debilitante do que se ela tiver, de facto, algum problema mental ou atraso no desenvolvimento.
Não deixem que a criança sinta que ser diferente é ser anormal, ou que ser pior que os outros em alguma coisa significa ser atrasado. Porque essa não é a verdade.
Nem somos todos produtos de fábrica nem somos todos "divas especiais". Somos como flocos de neve: somos todos da mesma matéria, sensivelmente da mesma origem, e com objectivamente o mesmo destino. Mas somos todos únicos.

Ensinem isto à criança: ela é especial, e, ao mesmo tempo, igual a todos os outros, porque somos todos especiais. Ninguém merece tratamento melhor que ninguém porque todos merecemos o melhor tratamento possível. Ninguém precisa de mais atenção que o outro; alguns precisam de mais ajuda, mas todos necessitam a mesma atenção, carinho, e dedicação.
Ensinem isto à criança: ela nunca será capaz de exactamente a mesma coisa que mais ninguém, porque será capaz de algumas outras coisas como mais ninguém. Ensinem-lhe que as suas capacidades serão diferentes das dos outros, e que, por vezes, ela não conseguirá mostrar isso a quem estiver a ver. Por vezes, ela será avaliada em coisas nas quais não se sai tão bem quanto o outro, ou em coisas nas quais se sai melhor do que qualquer um.
E ensinem-lhe isto: que isso aconteça não significa que nem ela nem o outro tenha algum problema. Não é motivo para se abater nem para se insuflar. Ensinem-lhe que problemas todos temos, e que também é dada a cada um a capacidade de resolver os seus.

Certifiquem-se de que a criança sabe que as diferenças, facilidades, e dificuldades, não são motivos nem para a indiferenciação nem para a sobrevalorização da diferença. Mostrem-lhe que tudo é motivo para aprender, ensinar, crescer, e aproveitar, e que essa é uma das melhores partes de se ser Humano.

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Uma jovem dos Açores.
Sou coleccionadora de memórias, e aqui está a minha constelação.

Deus, família, amigos, palavras, imagens, e sons.
Querer fazer a diferença, e viver num constante processo de tentar perceber como.

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